During the month of January, Luis, Tozé, Henrique and Zé Simões, visited Margarida at Porto Rotondo. We experienced a terrible rain which alternated with some winter sunshine!

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In June, 2012, in the night from 14th to 15th, we experienced, for the first time, katabatic winds! As our anchor could not secure us, we had to goi around and around until the wind calmed down! You can see in the chartplotter picture our course from 4:10 am until 5:30 am!

In the following there is a detailed explanation, in Portuguese, of what happened. There is also a translation to Spanish here. Unfortunately, I did not translated it to English!

14 de Junho de 2012, 17h00 - Chegamos ao Cabo Malfatano para ancorar a W da Isola de Tuaredda. Já lá tinhamos estado em Maio e gostamos muito. O Passage Weather e o Wind Guru previam vento de W de 10 nós com rajadas de 12 nós. Estavam lá 4 veleiros, assinalados de 1 a 4 na imagem. O veleiro 1 tinha bandeira Espanhola, o 2 bandeira Francesa, o 3 bandeira Suiça e o 4 bandeira Italiana. O Margarida ficou no lugar assinalado como 5.

14 de Junho de 2012, 19h00 - O vento estava de 20 nós. Tinha chegado um outro veleiro italiano que tentou fundear atrás de nós e agarrou. Ao fim de algumas tentativas foi-se embora. A nossa ancora portava-se bem e tinha já observado rajadas de 24 nós. Eu dizia à Iris e à nossa amiga Ana que, com a noite, o vento amainava.

14 de Junho de 2012, 21h00 - Jantamos salmão grelhado e o vento continuava a soprar entre os 20 e 25 nós. Convenci-me que, afinal, não ia amainar. A Iris e a Ana estavam na internet e aproveitei para descansar um pouco. Às 24 horas fiquei de olho aberto a todos os ruídos e sempre espreitando a luz de ancoragem do veleiro 3 com uma luz vermelha que se via em terra. Continuavamos alinhados, sinal que tudo estava bem. Ah, a noite era escura (quase lua nova).

15 de Junho de 2012, 01h40 - Deitado na sala ouço o vento a crescer, subo ao cockpit e vejo a luz vermelha muito à frente da luz de ancoragem do veleiro 3. Estavamos a agarrar. Acordo Iris e peço-lhe para ir à âncora. Ligo o motor. Iris está ensonada e protesta. Vai buscar o foco lanterna que levamos a bordo mas não funciona. Leva então uma pequena lanterna de mão. O vento sopra com 30 nós. De facto o vento é mais N do que W. Estou convencido que estavamos perante vento encanado que curvava para S como se assinala na figura. Ana serve de conexão entre mim e Iris que não nos conseguimos fazer ouvir tal era ruído do vento. Percebo que a ancora está levantada e começo a avançar para a posição inicial. Chegando lá digo a Ana e esta a Iris para largar a ancora.

15 de Junho de 2012, 01h50 - A ancora tinha caído e com grande ansiedade olhamos o alinhamento da luz (a única coisa que se avistava em terra) e as luzes no topo dos outros mastros. Estavamos novamente a andar para trás. Grito a Iris para repetir a operação de levantar a ancora. Ela levanta e eu avanço novamente o Margarida para a posição inicial. Desta vez Iris demorou a largar a ancora pois estava cheia de algas e tentou limpá-la. Ancora em baixo e novamente, eu, Iris e Ana, olhando para a luz vermelha. Parece que que mantemos a posição. E o vento parece que sopra mais fraco. Isso! Em 5 minutos o vento passou de 30 e tal nós a 2 ou 3 nós. Quase calmaria. Desço ao salão e digo que agora podemos descansar. Fomos todos dormir.

15 de Junho de 2012, 04h00 - Quase ao mesmo tempo, eu e Ana subimos ao cockpit. A Ana disse-me que já tinha subido 3 vezes antes e que tudo estava bem. Mas desta vez não! Incrível! Assim como tinha parado em 2 ou 3 minutos o vento agora subia vertiginosamente. Os instrumentos de navegação assinalam 35 nós. Vou buscar os óculos à sala, volto e já íamos em 40 nós. A luz vermelha está muito à frente e nós quase a chegar ao outro lado da enseada. Acordamos Iris e digo que desta vez nem vale a pena tentar recolocar a ancora pois estavam 40 nós de vento contínuo. Apenas peço a Iris para levantar a ancora. E começaram 90 minutos terríveis e assustadores.

15 de Junho de 2012, 04h10 - Escuridão total! Vento assobiando de 40 nós! Medo de navegar para o largo pois tinhamos visto a previsão de ondulação de 2 metros (e com vento de 10 nós! o que seria com vento de 40?). Começamos então a dar voltas como se mostra na figura. Aproximo-me do veleiro 4 (a luz branca no topo do mastro era o que se via) e mal guino a bombordo a força do vento vira o Margarida para Sul. Com o motor ao "ralenti" desloco-me para Sul e o Margarida acelera só por causa do vento enchendo a capotina. Chegando à ponta da ilha volto a guinar a bombordo agora para colocar o Margarida a rumar a N em direcção à luz do veleiro 4. Mantenho a aceleração do motor necessária para fazer avançar o Margarida o mais lentamente possível sem perder a manobrabilidade. Quando as rajadas apareciam o Margarida quase ficava de lado. Por várias vezes pensamos que o toldo ia ser arrancado.

15 de Junho de 2012, 05h30 - Estas voltas demoraram 1h30 minutos e parecia que nunca iam ter fim. Na imagem do chartplotter pode ver-se o "caminho" que o Margarida percorreu nesses minutos intermináveis. Agora que passou e que escrevo fico admirado como tivemos a frieza de manobrar o Margarida desta maneira. Por volta das 04h30, o veleiro Espanhol começou a agarrar. Todos os ocupantes dos outros veleiros estavam nos cockpits excepto os espanhois. A Iris e Ana gritavam quando o Margarida passava ao lado dele. O veleiro Suiço apontava um foco potente ao veleiro Espanhol e buzinava. Ao fim de uns 20 minutos, lá se acendeu uma luz e apareceu um marinheiro que foi para a proa. Isso sucedeu quando o veleiro já tinha agarrado metade do que agarrou. Finalmente ficou na posição assinalda na imagem. O vento não parava. E nós rodando sem parar. A única coisa boa é que começava a ver-se uma claridade. Foi então que decidimos continuar sempre para Sul e dobrar o Cabo Malfatano rumando a W. Fizemos isso. A ondulação não era tão má. O vento tinha passado para 30 nós e vinha de popa. Avizinhava-se que a aventura ia acabar bem!

Epílogo - Chegamos a Porto di Pino por volta das 8h00 e ancoramos para descansar até ao meio dia. Depois rumamos a Carloforte e pedimos pelo canal 15, um lugar para o Margarida. Estamos na Marina. Carloforte é uma vila muito engraçada e esta noite vamos dormir bem descansados. Ah! Hoje tive que tomar 2 Omeprazol, mas agora já não preciso mais!

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